Por Vallari Srivastava, Nathan Crooks e Jarrett Renshaw
7 Jan (Reuters) – Os Estados Unidos precisam controlar indefinidamente as vendas e receitas de petróleo da Venezuela para impulsionar as mudanças que desejam ver no país, disse o secretário de Energia, Chris Wright, nesta quarta-feira.
Os comentários refletem a importância das reservas de petróleo bruto do país sul-americano para a estratégia do presidente Donald Trump desde que as forças dos EUA depuseram o líder venezuelano Nicolás Maduro em um ataque à capital Caracas no sábado.
“Precisamos ter essa alavancagem e esse controle dessas vendas de petróleo para impulsionar as mudanças que simplesmente devem acontecer na Venezuela”, disse Wright na Conferência Goldman Sachs Energy, CleanTech & Utilities em Miami.
PETRÓLEO ARMAZENADO CHEGANDO PRIMEIRO AO MERCADO
Ele disse que os EUA comercializariam primeiro o petróleo venezuelano armazenado e depois venderiam a produção futura em curso, inclusive para refinarias norte-americanas especialmente equipadas para processá-lo, com as receitas depositadas em contas controladas pelo governo dos EUA.
Wright acrescentou que estava conversando com empresas petrolíferas dos EUA para saber quais condições lhes permitiriam entrar na Venezuela – para ajudar a aumentar a produção lá.
“Os recursos são imensos. Esta deve ser uma potência energética rica, próspera e pacífica”, disse ele.
“Esse é o plano.”
Na terça-feira, Caracas e Washington chegaram a um acordo para exportar até 2 mil milhões de dólares em petróleo venezuelano para os Estados Unidos, um acordo que “desviaria os fornecimentos da China e ao mesmo tempo ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção de petróleo”.
O acordo é um sinal de que as autoridades do governo venezuelano estão a responder à exigência de Trump de se abrirem às empresas petrolíferas dos EUA ou arriscarem mais intervenção militar.
Trump disse que deseja que o presidente interino, Delcy Rodriguez, dê aos EUA e às empresas privadas “acesso total” à indústria petrolífera da Venezuela.
“Em vez de o petróleo ser bloqueado como está agora, vamos deixar o petróleo fluir”, disse Wright na conferência.
A venda de petróleo venezuelano “beneficiará o povo americano, a economia americana e os mercados globais de energia, mas, claro, também beneficiará enormemente o povo da Venezuela”, disse ele.
As ações das refinarias norte-americanas Marathon Petroleum, Phillips 66 e Valero Energy subiram entre 2,5% e 5%.
REUNIÕES DA CASA BRANCA
Aumentar a produção de petróleo da Venezuela é um dos principais objetivos de Trump, que deverá se reunir com os chefes das principais empresas petrolíferas na Casa Branca na sexta-feira, segundo fontes.
Representantes da Exxon Mobil, ConocoPhillips e Chevron – as três principais empresas dos EUA, todas com experiência na Venezuela – estariam presentes, segundo uma fonte familiarizada com o planejamento.