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Sheinbaum, do México, diz que são necessárias provas depois que os EUA acusam o governador de Sinaloa por ligações com cartel

Por Ana Isabel Martinez e Raul Cortes

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) – A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta quinta-feira que, a menos que o governo dos Estados Unidos apresente “evidências claras” ligando o governador de Sinaloa, Rubén Rocha, aos cartéis de drogas, as acusações anunciadas contra ele na quarta-feira terão motivação política.

“Não vamos proteger ninguém que tenha cometido um crime”, disse Sheinbaum na sua conferência de imprensa matinal, referindo-se à acusação do Departamento de Justiça dos EUA contra Rocha e outros atuais e antigos funcionários mexicanos por conspirarem com o Cartel de Sinaloa.

“No entanto, se não houver provas claras, é óbvio que o objectivo destas acusações do Departamento de Justiça é político”, acrescentou Sheinbaum, dizendo que o México não permitiria a interferência de um governo estrangeiro nos seus assuntos soberanos.

ROCHA, SHEINBAUM DA MESMA PARTE

As ‌acusações contra Rocha marcam uma nova ⁠frente na luta dos EUA contra os cartéis. Embora os EUA tenham perseguido repetidamente os chefões do tráfico, as acusações dos EUA contra altos políticos mexicanos em exercício são raras.

A acusação de Rocha representa um problema para Sheinbaum, especialmente porque ambos pertencem ao mesmo Partido Morena, no poder. Rocha também é aliado do antecessor e mentor de Sheinbaum, o ex-presidente Andrés Manuel López Obrador.

Rocha negou as acusações e disse que eram um ataque contra o movimento político que governa o México. “Eles não têm qualquer verdade ou fundamento”, disse ele em uma postagem no X, ‌jurando que seriam provados falsos.

De acordo com a acusação dos EUA, Rocha foi eleito governador de Sinaloa em 2021 com a ajuda de uma facção do Cartel de Sinaloa dirigida pelos filhos do fundador Joaquin “El Chapo” Guzman, conhecidos como “Los Chapitos”.

Os Chapitos supostamente sequestraram e intimidaram os rivais políticos de Rocha, disse o Departamento de Justiça, em troca da promessa de Rocha de permitir que o grupo operasse impunemente e distribuísse drogas aos EUA.

Os outros ‌acusados ​​pelo Departamento de Justiça dos EUA incluem funcionários estaduais e atuais, bem como o prefeito e um ex-comandante da polícia de Culiacán, capital do estado de Sinaloa.

“Esses políticos e responsáveis ​​pela aplicação da lei abusaram da sua autoridade em apoio ao cartel, expuseram e sujeitaram as vítimas a ameaças e violência e venderam os seus escritórios em troca de subornos maciços”, de acordo com a acusação.

Sheinbaum enfatizou que o devido processo teria que ser seguido no México. “Tem que haver provas contundentes para que um mandado de prisão seja emitido”, disse ela, referindo-se à execução dos pedidos de extradição dos EUA que acompanharam a acusação.

A presidente mexicana disse que conversou com Rocha na quarta-feira, dizendo-lhe: “Se não há nada, não há nada a temer”.

(Reportagem de Ana Isabel Martinez, Raul Cortez ​e Laura Gottesdiener; Edição de Emily Green, Rod Nickel)

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