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Alto funcionário libanês critica acordo mediado pelos EUA com Israel e alerta sobre divisões

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Alto funcionário libanês critica acordo mediado pelos EUA com Israel e alerta sobre divisões

BEIRUTE (Reuters) – O presidente do Parlamento do Líbano, Nabih Berri, um importante aliado do Hezbollah, criticou nesta segunda-feira um acordo mediado pelos EUA entre o Líbano e Israel, alertando que ele poderia levar a tentativas de dividir os libaneses e disse que não seria implementado.

Autoridades israelenses sugeriram que o acordo avançaria nos próximos dias, mas não houve relatos imediatos de quaisquer aspectos do acordo sendo implementados no terreno.

Em comentários ao jornal libanês al-Akhbar, Berri descreveu as conversações Irão-EUA como a única oportunidade realista para garantir a retirada israelita do Líbano e que qualquer tentativa de separar o Líbano da via EUA-Irão prolongaria a ocupação israelita.

Israel ocupou uma parte do sul do Líbano numa guerra com o Hezbollah que começou em 2 de março, quando o grupo abriu fogo contra Israel depois do Irão ter sido atacado por EUA-Israel.

A guerra do Líbano tem sido uma parte central da diplomacia para pôr fim ao conflito mais amplo entre os EUA e o Irão. Teerão insistiu num cessar-fogo no Líbano como parte do seu acordo provisório com Washington, enquanto os EUA patrocinaram conversações separadas entre os governos libanês e israelita, nas quais Beirute participou apesar das objecções do Hezbollah.

Israel elogiou o acordo, assinado pelos embaixadores libanês e israelense em Washington na sexta-feira, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu dizendo que permite que as forças israelenses continuem a ocupar o sul do Líbano se o Hezbollah não se desarmar.

O Hezbollah, que exigiu que Beirute abandonasse as conversações cara a cara com o governo israelense, rejeitou o acordo como uma rendição a Israel.

BERRI REJEITA ACORDO LÍBANO-ISRAEL COMO ‘DIKTATS’

O acordo prevê que o exército do Líbano tome o território enquanto se aguarda o desarmamento verificado de grupos não estatais – uma referência ao Hezbollah – dizendo que isso permitiria aos militares de Israel “redistribuirem-se progressivamente para fora” do Líbano. O exército do Líbano assumiria gradualmente a responsabilidade nas “zonas piloto”.

Um alto funcionário israelense disse que o processo da zona piloto sob o qual as tropas se retirariam começaria “imediatamente”, sem dar mais detalhes. Uma segunda autoridade israelense disse que a “realocação” das zonas piloto poderá começar nos próximos dias.

As zonas, segundo mapas publicados pelo governo israelita, incluem as aldeias libanesas de Froun, Zawtar al-Gharbiyeh e Ghandouriyeh.

Duas autoridades israelenses disseram separadamente que estas áreas foram tomadas recentemente pelas forças israelenses, sem especificar exatamente quando, para usar como alavanca nas negociações.

Uma imagem de satélite de Froun, tirada em 24 de junho pela Airbus, mostrou destruição em grande parte da vila.

Berri, chefe do Movimento Muçulmano Xiita Amal, descreveu o acordo como “ditados”. Al-Akhbar citou ‌Berri dizendo que o aspecto mais perigoso do acordo não era apenas o seu conteúdo político, mas “o potencial para incitar divisões internas e atrair os libaneses para um confronto entre si”.

O acordo “não será implementado”, disse al-Akhbar, citando-o.

A intensidade das hostilidades no Líbano, no sul, diminuiu este mês, à medida que o Irão insistiu na sua exigência de um cessar-fogo no Líbano nas negociações com os EUA, e à medida que Israel reduziu os ataques no Líbano a pedido de Washington.

O acordo provisório EUA-Irão exige que ambos os países e os seus aliados ponham fim às operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. O Irão também procura a retirada israelita do Líbano.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse em 16 de junho que o fim total da guerra não seria alcançado sem a retirada israelense. ‌Israel diz que manterá suas tropas no cinturão de “segurança” do sul que ocupa enquanto for necessário para evitar que o Hezbollah invada ou dispare contra cidades fronteiriças israelenses.

ISRAEL ATINGE ALVO DO HEZBOLLAH

A administração libanesa liderada pelo presidente cristão maronita Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, um muçulmano sunita, procurou conversações cara a cara com Israel no início da guerra, apesar das objeções do Hezbollah xiita, refletindo divisões sobre a decisão do grupo de aderir ao conflito.

O governo de Beirute tem seguido uma política destinada a garantir o desarmamento do Hezbollah desde o ano passado, depois de o grupo ter ficado gravemente enfraquecido durante uma guerra anterior com Israel em 2024.

Aoun, em um telefonema com o presidente dos EUA, Donald Trump, no sábado, disse esperar que Washington pressione Israel a se retirar do sul do Líbano.

As forças israelenses tomaram uma zona de segurança autodeclarada que se estende até o sul do Líbano durante a guerra, citando a necessidade de proteger o norte de Israel dos ataques do Hezbollah.

Os militares israelenses disseram que destruíram um túnel do Hezbollah de 200 metros (656 pés) de comprimento no sul durante a noite. Ele também disse que “atacou três centros de comando do Hezbollah no sul do Líbano no domingo, em resposta às violações de um cessar-fogo por parte do Hezbollah.

O Hezbollah disse na segunda-feira que aderiu ao cessar-fogo “até agora” e se reservou o direito “de defender a sua pátria e o seu povo”.

(Reportagem de Tala Ramadan e Nayera Abdallah em Dubai, Catherine Cartier em Beirute, Rami ​Ayyub e Maayan Lubell em Jerusalém; escrito por Tom Perry; editado por John Davison, William Maclean)

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