Por Siyi Liu e Florence Tan
CINGAPURA (Reuters) – Espera-se que as refinarias independentes chinesas mudem para petróleo pesado de fontes como o Irã nos próximos meses para substituir os embarques venezuelanos interrompidos desde que os EUA destituíram o presidente do país, disseram traders e analistas.
Caracas e Washington concordaram em exportar até US$ 2 bilhões em petróleo venezuelano para os Estados Unidos, disse o presidente Donald Trump na terça-feira, depois que as forças dos EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro no fim de semana.
Esse acordo provavelmente reduzirá o fornecimento venezuelano à China, dizem os analistas, reduzindo uma fonte de petróleo barato para refinarias independentes, conhecida como teapots. O maior importador de petróleo bruto do mundo é um grande comprador de petróleo sancionado com desconto da Rússia, do Irão e da Venezuela.
AMPLA FORNECIMENTO RUSSO E IRANIANO
“O drama da Venezuela atinge mais duramente as refinarias independentes da China, pois elas podem perder o acesso aos barris pesados com desconto”, disse o analista da Sparta Commodities, June Goh.
“No entanto, como há amplas matérias-primas russas e iranianas disponíveis e barris venezuelanos de água, não prevemos que os bules precisem fazer ofertas por barris não sancionados, pois a economia provavelmente não faria sentido para eles”, disse ela.
A China importou 389 mil barris por dia de petróleo venezuelano em 2025, cerca de 4% do total de suas importações marítimas de petróleo bruto, mostraram dados do Kpler.
Pelo menos uma dúzia de navios sancionados que carregaram em dezembro partiram das águas venezuelanas no início de janeiro transportando cerca de 12 milhões de barris de petróleo bruto e combustível, informou a Reuters. No entanto, os carregamentos para a Ásia nos principais portos da Venezuela foram interrompidos desde 1º de janeiro, mostraram dados de transporte marítimo.
Com o aperto na oferta, os vendedores de petróleo venezuelano Merey para pronta entrega ofereceram cargas com descontos de cerca de US$ 10 por barril para o ICE Brent, contra US$ 15 no mês passado, disse um trader, embora o comércio tenha parado.
Outro trader disse que as ofertas estavam em menos US$ 11 por barril.
ARMAZENAMENTO FLUTUANTE PODE DURAR 75 DIAS
O petróleo venezuelano a bordo de navios na Ásia continua sendo suficiente para cobrir cerca de 75 dias de demanda chinesa, limitando qualquer vantagem imediata para alternativas, disse o analista sênior da Kpler, Xu Muyu.
Os bules que utilizam petróleo venezuelano provavelmente passarão para o fornecimento russo e iraniano em março e abril, e a China também poderá recorrer a fontes não sancionadas, como Canadá, Brasil, Iraque e Colômbia, disse ela.
Os compradores ainda não começaram a procurar alternativas, disseram fontes comerciais, com o petróleo pesado iraniano com um desconto de cerca de US$ 10 por barril em relação ao ICE Brent em ampla oferta, a alternativa mais barata.
